Trajetória do cantor e compositor Belchior inspirou documentário que estreia esta semana no festival É Tudo Verdade, com exibições presenciais e virtuais. Em papo com O Otimista, realizadores falam sobre imersão na obra do artista. Silvero Pereira aparece declamando letras e poemas do conterrâneo
Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br
Em meados de 2016, um clamor nacional pedia pelo retorno de Belchior ao mundo das artes. O cearense falecido no ano seguinte abandonou a carreira e passou quase dez anos vivendo recluso. Seu legado, porém, seguia pulsante, encantando muitos corações mundo afora. Um desses encantos nasceu nos ouvidos atentos dos produtores brasileiros Natália Dias e Camilo Cavalcanti, que decidiram transformar a admiração que sentiam pela figura do artista em algo mais concreto e capaz de impactar outras pessoas. A forma escolhida foi o documentário Belchior – Apenas um coração selvagem, que chegará ao grande público nesta semana, integrando a programação do festival É Tudo Verdade.
A produção terá exibições presenciais em São Paulo e no Rio de Janeiro. Contudo, fãs de Belchior do Brasil inteiro, incluindo os cearenses, poderão acompanhar as sessões virtuais, através do site É Tudo Verdade Play. O documentário de estreia da dupla terá exibição nesta quinta (7) e sexta-feira (8), às 21 e 13 horas, respectivamente, como parte da Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens.
Natália e Camilo começaram o projeto quando a inspiração maior ainda estava viva, porém, segundo eles, após o falecimento de Belchior, veio a decisão de transformar o filme em uma celebração ao artista e o legado deixado por ele. “Fazer um filme sobre Belchior não foi uma escolha. Essa decisão foi maior que a gente! Como amantes de música e poesia, fomos durante muito tempo atravessados por essa obra tão potente, e, em 2016, com ele ainda vivo, começamos a desenvolver o projeto”, resgatam.

A história e as contradições do rapaz latino-americano são mostradas no filme por meio de imagens e depoimentos de diferentes momentos dos 40 anos de carreira. Além de ser contato em primeira pessoa, com o auxílio de entrevistas dadas pelo cantor, o ator Silvero Pereira ajuda a dar voz à narrativa. O também cearense apresenta poemas e letras da obra do cantor, algo diferente do que era a primeira ideia do duo de diretores. “Inicialmente pensamos em convidar diferentes pessoas para declamar as letras e poesias. Porém, muito rapidamente entendemos que o Silvero seria a melhor pessoa para ocupar esse lugar no filme. Além de ser cearense e também amante da música de Belchior, Silvero traça muitos outros paralelos com Bel. O fato de ser um cidadão comum, um homem de seu tempo. O próprio Silvero diz que as letras de Belchior poderiam ser sobre sua vida”, explicam os realizadores.

Mergulho de descobertas
O processo de pesquisa em prol do documentário, detalham, durou cerca de cinco anos, regados de muitas emoções e descobertas. “A partir do levantamento de arquivos feito pela pesquisadora Isabela Mota, fomos entendendo melhor tanto esse personagem complexo quanto a possibilidade de contar essa história através da voz do próprio Belchior. A chegada do Paulo Henrique Fontenelle, montador do filme e com quem dividimos o roteiro, também iluminou bastante a construção narrativa que decidimos fazer”, relatam. Diante de tal busca, se depararam com arquivos raros como uma entrevista dada pelo artista a uma rádio universitária no Ceará e uma foto dele no mosteiro de Guaramiranga, que chegou quase no fim do processo, através do acervo familiar. “É difícil elencar tudo pois trata-se de um filme muito rico em arquivos, coisas com as quais nos emocionamos muito”, acrescentam.
Natália e Camilo contam que os espectadores irão se deparar com as várias nuances do artista durante a sessão. “Belchior, além de um grande artista, é também um grande personagem. E é isso que o público vai encontrar! Um Belchior complexo, doce e ácido, carinhoso mas feroz. É um retrato dele por ele mesmo. Além de muita música, afinal de contas a obra é e sempre foi o grande motor do filme”, finalizam. O longa passeia por composições de sucesso como Sujeito de Sorte, Como Nossos Pais, Paralelas, A palo seco, Apenas um rapaz latino-americano e Coração Selvagem.
Serviço
Belchior – Apenas um coração selvagem
Exibição nos dias 7 e 8, no festival É Tudo Verdade
Mais: etudoverdade.com.br


















