Arquiteto Romário Rodrigues celebra projetos, ascensão nacional e traça panorama da profissão e das tendências para 2026

Entre mostras nacionais, projetos afetivos e referências globais, o arquiteto Romário Rodrigues revela processos, inspirações e visão para o futuro da profissão, além de insights sobre o mercado e tendências que devem moldar a maneira de morar

Dayse Lima
dayse@ootimista.com.br

O arquiteto cearense Romário Rodrigues, fundador do escritório que leva seu nome, tem se consolidado como um dos profissionais de maior ascensão no cenário nacional, combinando estética refinada, repertório multicultural e sensibilidade narrativa. Filho de comerciantes do Interior do Ceará, Romário afirma que a escolha pela arquitetura surgiu após perceber que suas aptidões iam além das carreiras tradicionais. “Eu pensava em fazer medicina, até que as pessoas começaram a falar: ‘você deveria ir para a moda, design, algo que tenha mais a sua cara’”, relembra. “Foi aí que descobri a arquitetura, ela unia tudo que eu amava: design, moda, sonhos, criação”, explica.

Formado pela Universidade de Fortaleza (Unifor), com passagem por Portugal para ampliar o olhar técnico e cultural, ele abriu o escritório em 2018, inicialmente em uma sala compartilhada e com apenas dois funcionários. “Hoje, olhar para onde chegamos é motivo de muito orgulho”, celebra.

Projetos
Entre os marcos da trajetória do arquiteto, a participação na CASACOR São Paulo 2025 se destaca como um divisor de águas. Na mostra, Romário assinou a Casa Cosentino, instalada em um casarão tombado no Parque da Água Branca. As limitações estruturais do imóvel se transformaram em desafio criativo. “Trabalhar em um espaço tombado sem grandes intervenções nos levou a fazer das pedras as protagonistas, não só como revestimento, mas como mobiliário, superfícies esculpidas e elementos de destaque. O resultado foi um ambiente que dialogava com arte, design e uma narrativa de lifestyle. E, claro, ver clientes se reconhecendo nos espaços que criamos, realizando sonhos, é o que mais me move”, ressalta.

Além das mostras nacionais, projetos residenciais marcados pela personalização reforçaram o estilo do arquiteto, que também guarda especial apreço pelas obras concebidas para familiares. “Cada projeto carrega uma história única, mas os da minha família têm um significado emocional muito forte”, diz.

As referências de Romário vêm de múltiplas linguagens. “A moda é uma referência constante. Dior me fascina pelo luxo construído com delicadeza”, exemplifica. O arquiteto também destaca viagens a eventos internacionais como o Salone del Mobile e a Design Week de Milão como influências decisivas na construção de seu repertório. Mas ele ressalta que a inspiração também nasce do cotidiano e, principalmente, dos clientes. “Cada projeto é uma troca, uma oportunidade de aprender e criar algo único”, defende.

Ainda entre as conquistas, o arquiteto encerrou 2025 com um novo reconhecimento de peso: pelo segundo ano consecutivo, seu escritório integra a Casa Vogue 50, lista que destaca os profissionais e escritórios mais influentes da arquitetura, do design de interiores e do paisagismo no Brasil. À frente de uma equipe que ultrapassa 50 colaboradores distribuídos entre São Paulo, Fortaleza, Juazeiro e Recife, ele celebra a conquista como um símbolo de expansão e responsabilidade. “Estar novamente na Casa Vogue 50 é um reconhecimento que me enche de gratidão e responsabilidade”, vibra.

Arquitetura cearense

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Romário Rodrigues observa que o Ceará passa por um momento de destaque no setor. “Temos talentos incríveis surgindo, profissionais consolidados e clientes cada vez mais interessados em qualidade”, avalia. Ele destaca que Fortaleza tem fortalecido sua identidade no design e a nova geração de arquitetos cearenses tem conquistado visibilidade além do Estado. “Estamos mostrando que é possível construir uma carreira sólida partindo daqui, sem perder nossas raízes”. Segundo ele, é preciso ampliar investimentos em formação, eventos e trocas com outros mercados. Diante desse movimento pujante, olha o cenário com otimismo: “O caminho está sendo trilhado, e me sinto honrado de fazer parte dessa construção”, destaca.

Quanto ao futuro, o profissional aposta em uma arquitetura mais humana e sensorial, que aproxima estética e funcionalidade por meio de experiências. Ao mesmo tempo, o arquiteto planeja expandir a atuação para novos mercados, mantendo o Ceará como base criativa. “Ainda temos desafios, claro: precisamos continuar investindo em educação, em eventos que tragam referências de fora, em trocas com outros mercados”, acrescenta.

Aos jovens profissionais, deixa um conselho direto: “Estude muito, não só arquitetura. Viaje, leia, viva experiências. E não tenha medo de começar pequeno”. Ele também reforça que acreditar no território é fundamental. “Você não precisa sair do Ceará para crescer, mas pode, e deve, expandir. Basta manter a essência e nunca parar de evoluir”, conclui.

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