Celebrando mais de duas décadas de carreira, Ana Carolina retorna a Fortaleza com a turnê “25 Anas”. Ao Tapis Rouge, a cantora fala com exclusividade sobre a concepção do show e a relação sólida que construiu com o público após tantos anos de estrada
Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br
O que dá para fazer em um quarto de século? Tem gente que monta um armazém, vira beata ou até comete crimes perfeitos. Existem os que ficam mais tolerantes e os que sempre optam por usar as escadas para elevar a dor. No caso de Ana Carolina, ela fez isso e muito mais através de canções que estão imortalizadas no imaginário do público brasileiro. Ao longo de 25 anos, por meio da TV, do rádio ou do som estridente da vizinha, ela construiu uma carreira invejável.
A data não poderia passar em branco e Ana tem ciência disso. Tanto sabe, que montou um show para rodar o Brasil e o Exterior com os ouvintes que fizeram dela uma das vozes mais ecoadas da música nacional. Aos fortalezenses: preparem a garganta, pois ela chega neste sábado (13) ao Estacionamento do RioMar Fortaleza com a turnê “25 Anas”.
“Voltar depois de tanto tempo tem uma emoção muito particular. É como reencontrar uma parte da minha história e, ao mesmo tempo, apresentar a artista que sou hoje. O público também muda, claro, muita gente segue comigo desde o começo e outras pessoas chegaram depois, então esse reencontro ganha camadas bonitas”, afirma a cantora em entrevista ao Tapis Rouge.
A voz dos sentimentos

O encontro entre Ana e as Terras Alencarinas vem após um hiato amargo de mais de 10 anos e ocorre justo na ressaca do Dia dos Namorados. O mais certo é que todos devem chorar, uns de felicidade e outros nem tanto. No repertório, o público pode esperar clássicos como “Quem de Nós Dois”, “Encostar na Tua”, “Garganta” e “Pra Rua Me Levar” – será que vem “Carvão” de brinde para os cearenses?
Segundo ela, o repertório foi pensado ainda na concepção do espetáculo, como parte da construção artística que faz uma verdadeira “costura emocional” entre as eras da carreira. “Existe uma sequência criada para dar sentido à narrativa, passeando por diferentes fases da minha trajetória e reunindo os grandes sucessos desse percurso. Tem canções que não poderiam ficar de fora pela relação que construiu com o público, tem momentos que ajudam a contar quem eu fui, quem eu sou e para onde ainda quero olhar”, propõe.
É justamente aí que mora um dos maiores trunfos da artista que entoa bem o que o peito está cheio. É tão verdade que ela mesma segue encontrando significados nas próprias canções até hoje. “Canto sentimentos e sensações comuns a todo mundo, amor, saudade, desejo, despedida, recomeço. Talvez por isso essas músicas encontrem as pessoas em momentos tão diferentes da vida. E, de alguma forma, elas também me guiam, sim. Quando eu canto uma canção depois de tantos anos, também descubro nela outras camadas, outras verdades. A música muda com a gente”, reflete.
Ainda de acordo com Ana, a turnê é dividida em cinco atos, trazendo estética e construção cênicas alinhadas com a cronologia musical cantada no palco. Logo, o diferencial ficará por conta da troca com o público local. “Fortaleza tem esse calor humano muito forte, então o especial está justamente nesse encontro, na forma como o público recebe o show, canta junto e transforma aquela apresentação em uma experiência única”, aponta.
Mais anos para Carolina
Se tem gente que olharia para essa trajetória e buscaria desacelerar, para Ana é a força motriz de ir além. Mesmo após 25 anos, o nervosismo aparece desavisado e o desejo de criar corre nela como um rio. A curiosidade resultou na turnê anterior, “Ana Canta Cássia”, que materializou uma admiração antiga da artista pela inesquecível Cássia Eller. “Foi um projeto que veio com frio na barriga, claro, porque existe uma responsabilidade enorme em cantar uma artista dessa grandeza. Acho que esse processo me reconectou com a força da interpretação, com a liberdade no palco e com essa coragem artística que a Cássia tinha de um jeito tão único”, revela.
As descobertas foram tantas, que abriram caminho para que Ana pudesse olhar para o tempo transformado em memória por suas canções, celebrando o passado, mas com um chamado de seguir em movimento. “Vejo esses 25 anos como uma passagem importante dentro de um caminho que continua. Me sinto em um momento de maturidade, mas também de muita curiosidade”, pontua. Entre certezas e desejos, Ana Carolina reverencia o caminho até aqui e se mostra de braços abertos ao novo. “Sigo com vontade de criar, experimentar e me conectar com o que ainda faz sentido pra mim agora. Isso é o que mantém tudo vivo”, finaliza.
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Ana Carolina em Fortaleza
Neste sábado (13), com abertura dos portões às 17h30 e início do show às 20h
No Estacionamento do RioMar Fortaleza
Ingressos disponíveis exclusivamente pela Meaple















