Mergulhando na obra de Euclides da Cunha, Amaury Lorenzo apresenta monólogo A Luta neste fim de semana, em Fortaleza. Ao Tapis Rouge, ator comenta a rotina entre o teatro e a televisão, a experiência de estar sozinho palco e o que está por vir na carreira
Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br
Em alta na televisão e nas redes sociais, o ator mineiro Amaury Lorenzo foi uma das figuras brasileiras mais comentadas do último ano, graças ao dúbio capataz Ramiro, da novela Terra e Paixão. Junto do cantor e também ator Diego Martins, ele foi o grande destaque do folhetim de Walcyr Carrasco. Embora tenha sido catapultado ao estrelato recentemente, Lorenzo é detentor de uma carreira de duas décadas e meia, majoritariamente dedicada ao teatro, território pelo qual nutre grande paixão. É justamente no palco que ele poderá ser visto pelos fortalezenses neste fim de semana.
O também roteirista e bailarino apresentará o monólogo A Luta, inspirado na obra do escritor Euclides da Cunha, no Teatro Brasil Tropical. A montagem com direção de Rose Abdallah e dramaturgia de Ivan Jaf, terá sessões neste sábado (24), às 21h, e domingo (25), às 19h. Os ingressos estão à venda no site sympla.com.br.
Lorenzo destaca a importância de revistar o passado da história brasileira a partir da montagem, que revisita as batalhas ocorridas em Canudos, em 1896, entre os homens e mulheres chefiados por Antônio Conselheiro e as forças militares da República recém-proclamada no Brasil. “Olhar para trás e entender quem fomos ajuda a gente a entender melhor quem nós somos agora, e ainda ajuda a gente a viver melhor no futuro. Esta é uma filosofia indígena que se aplica muito na importância deste espetáculo”, justifica. Em entrevista exclusiva ao Tapis Rouge, o ator fala do sucesso recente, da trajetória no teatro e dos planos profissionais para 2024. Confira!
Tapis Rouge – Como foi estar na novela e no teatro ao mesmo tempo, fazendo dois personagens tão distintos?
Amaury Lorenzo – Viver o Ramiro em Terra e Paixão foi uma das maiores e apaixonantes experiências profissionais da minha carreira. E narrar e viver a Guerra de Canudos no espetáculo A Luta, no Teatro, tem sido uma virada de chave importante na minha carreira. Sou muito grato a todos e todas que fizeram e fazem parte desta minha história. Estou muito honrado em poder executar meu ofício sagrado de atuar no Teatro e TV, ao mesmo tempo.
TR – Pode comentar sobre o desafio de estar sozinho em cena com este monólogo, como é a experiência?
Amaury – O público vê o ator sozinho, em cena, num monólogo. Mas o espetáculo só é possível graças a uma profissional e dedicada equipe de trabalho. Ivan Jaff é nosso autor, que adaptou Os Sertões, de Euclides da Cunha. Rose Abdallah nossa diretora. Ricardo Meteoro, iluminador. Sandro Rabello, nosso produtor. O ator, em um monólogo, é mais um canal de comunicação com o público. E, por falar em público, a cada sessão é ele que joga comigo o jogo poderoso da cena. Eu só consigo narrar e viver a história de Canudos, durante uma hora de espetáculo intenso, corporalmente e vocalmente, porque tem um público espetacular comigo.
TR – A montagem mergulha em um momento muito significativo da história brasileira. No seu entender, qual a importância de voltar neste passado?
Amaury – Pra mim, o monólogo A Luta trata de brasilidade, de construção da nossa identidade. Quando o público e eu, dentro de um teatro, durante uma hora, celebramos esse marco histórico do nosso País, nós estamos celebrando quem nós somos. Olhar para trás e entender quem fomos ajuda a gente a entender melhor quem nós somos agora, e ainda ajuda a gente a viver melhor no futuro. Esta é uma filosofia indígena que se aplica muito na importância deste espetáculo.
TR – Você foi amplamente reconhecido por Terra e Paixão e o mesmo tem acontecido com A Luta, rendendo-lhe indicações em várias premiações de peso. Como define este momento que tem vivido na carreira?
Amaury – Estou muito honrado com este momento da minha carreira. Mas não é de agora. São 25 anos de muita luta, de muito teatro. E recebo este lindo momento com muito ‘pé no chão’, humildade, amor e gratidão.
TR – Por fim, com o desfecho da novela, o que mais podemos esperar de você em 2024? Vai ficar na peça, já tem mais projetos em vista?
Amaury – Queremos rodar o Brasil com A Luta. Então, produtores e produtoras de todo o Brasil: estamos com agenda aberta. E também estou iniciando os estudos de um novo espetáculo para o segundo semestre. Mas, sigo com A Luta até onde o Teatro me levar.
Serviço
Espetáculo A Luta
Neste sábado (24), às 21h, e domingo (25), às 19h
No Teatro Brasil Tropical (Av. da Abolição, 2323 – Meireles)
Ingressos: de R$ 25 a R$ 100
Vendas: sympla.com.br



















