A cantora britânica lança, nesta sexta-feira (19), o aguardado quarto álbum de estúdio, prometendo ser o trabalho que mais adentrou em sua vida pessoal. Ao longo de 12 faixas, ela fala sobre o divórcio e relata jornada de autoconhecimento

Danielber Noronha
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Uma coisa é certa: existe uma indústria musical antes e outra depois do surgimento de Adele. Há quatro semanas no topo da Billboard Hot 100 dos Estados Unidos – um dos maiores termômetros da música global -, a cantora britânica lança hoje (19) o 30, seu novo álbum de estúdio. Mantendo tradição, o disco faz alusão à época em que a cantora compôs as faixas (2019), quando tinha exatos 30 anos. Hoje, está com 33.

Intimidade revelada
Após seis anos de espera, ela promete dar aos fãs recortes dos momentos mais íntimos que viveu enquanto fazia brotar o 30, durante o pós-divórcio com o empresário Simon Konecki, com quem foi casada por três anos. Além disso, segundo palavras da própria Adele, as 12 faixas do disco deverão servir como um desabafo para o filho, Angelo Adkins, de oito anos, fruto do casamento com Konecki. O intuito da mãe é mostrar ao filho todas as transformações que passou durante este período conturbado da vida.

Mas se engana quem definiu o 30 como um “álbum de divórcio”. Na verdade, trata-se de uma jornada da artista em busca de entender a si mesma enquanto mulher e dos artifícios que a “rainha da sofrência internacional” encontrou para lidar com a separação. “Eu realmente não me conhecia. Só pensava que sim. Não sei se foi por causa do meu Saturno retornando ou se foi porque eu estava entrando na casa dos trinta, mas eu simplesmente não gostava de quem eu era”, disse Adele em entrevista à revista Rolling Stone.

Recepção e aclamação
Mesmo sem ousar tanto e seguir no mesmo compasso que a tornou gigante, ela parece ter conquistado a crítica especializada. No Metacritic, site que compila todas as avaliações dos principais veículos de imprensa internacionais, o 30 está com uma avaliação de 89, compilando 12 reviews publicadas. Com isso, o álbum já figura como um dos maiores de 2021, em relação à avaliação da crítica, e o mais bem avaliado da carreira da britânica, superando o 25, hoje com uma nota 75.

“Adele nunca soou mais feroz do que ela soa no “30” – mais viva para seus próprios sentimentos, mais virtuosa em moldá-los em músicas na nota de sua própria vida. É seu álbum mais forte, mais poderoso até agora”, disse a Rolling Stone ao atribuir nota máxima ao álbum. “O verdadeiro golpe de mestre do ’30’, entretanto, vem de como essas letras – a dor, a autoflagelação (às vezes cruel, às vezes zombando), a esperança, a aceitação – são perfeitamente colocadas juntas musicalmente”, definiu a DYI Magazine, que deu nota 90 para o conjunto da obra.

Próximos passos
Até então, o público havia tido um vislumbre do álbum com o smash hit Easy On Me, que é uma das músicas mais tocadas do mundo nas plataformas digitais, barrada apenas pelos recentes lançamentos de Taylor Swift. Porém, já há uma nova aposta de Adele em vista: a faixa I Drink Wine (Eu bebo vinho). A música tem mais de seis minutos – indo contra a cultura dos singles curtos, que lutam para passar dos dois minutos -, mas deve ganhar uma versão compactada para tocar nas rádios. A faixa, segundo ela, foi construída para imitar um diálogo e, por este motivo, cada refrão é cantado de forma diferente. Para isso, ela criou variados personagens. Por ora, o próximo passo é preparar os lencinhos e sentar para ouvir o que ela tem a dizer.

Serviço
30
Novo álbum de Adele
12 faixas
Disponível hoje (19) nas principais plataformas de streaming