Começando hoje, DFB Festival 2026 ocupa ruas, praças e equipamentos culturais da Praia de Iracema, reunindo grandes nomes da moda, fortalecendo novos criadores e ampliando diálogo entre design, música, artesanato e economia criativa
Sâmya Mesquita
samyamesquita@ootimista.com.br
Quando a primeira modelo entrar na passarela da Praia de Iracema e os primeiros acordes ecoarem na Praça Verde do Centro Dragão do Mar, o DFB Festival estará fazendo muito mais do que apenas apresentar peças de vestuário. De hoje (9) até sexta-feira (12), Fortaleza se transforma em um grande palco criativo a céu aberto. A edição de 2026 abandona a lógica de um evento concentrado em um único espaço para espalhar moda, cultura e experiências urbanas por alguns dos pontos mais emblemáticos da Cidade. O resultado é um circuito que conecta estilistas, artistas, estudantes, empreendedores e público em uma celebração da identidade criativa cearense.
Criado em 1999 por Cláudio Silveira, o DFB consolidou-se ao longo das últimas décadas como uma das principais plataformas de moda autoral do País. Neste ano, porém, o festival assume uma dimensão ainda mais simbólica ao retornar às ruas que ajudaram a construir sua própria história. “Nós somos realmente a capital autoral da moda brasileira e voltamos para a Praia de Iracema não só pelos 300 anos de Fortaleza, mas para dar ainda mais visibilidade à moda autoral e à própria Cidade”, diz Cláudio em entrevista ao Tapis Rouge. A programação ocupará simultaneamente a Rua dos Tabajaras, o Estoril, a Ponte dos Ingleses, a Rua Dragão do Mar e a Praça Verde, criando um percurso que aproxima moda, arquitetura, memória e paisagem urbana. Para o diretor do festival, essa escolha dialoga diretamente com a essência do evento: “A gente é da rua, a gente é do povo. O DFB é da cidade de Fortaleza. Não é um evento fechado nem para poucos, é um evento para todos”.
Nordeste: potência criativa
A decisão também reforça uma característica que acompanha o festival desde sua criação: a defesa da moda autoral como ferramenta de desenvolvimento econômico e valorização cultural. Em um mercado historicamente dominado pelos grandes centros do eixo Rio-São Paulo, o DFB construiu uma trajetória apostando em criadores independentes, pequenos empreendedores e no trabalho artesanal nordestino. “O mundo inteiro se entregou à moda autoral porque percebeu que, sem um produto diferenciado e sem explorar o feito à mão, perde-se identidade. O Nordeste tem a maior cadeia de artesanato do País e precisamos ter respeito por esse legado”, ressalta o idealizador. Para ele, o desafio atual passa também pela preservação de saberes tradicionais. “Queremos deixar como legado a valorização do feito à mão e mostrar às novas gerações que existe futuro nessa produção. Precisamos salvar essas tradições e fortalecer quem continua produzindo”.
Essa valorização aparece diretamente na programação. Entre os nomes confirmados estão estilistas consagrados como Almir França, George Azevedo, David Lee e Melk Zda, além de marcas e coletivos como Casa Aika, Mancuda, Ethos, Lire Brand, Studio Orla e Rodrigo Tremembé. Um dos momentos mais aguardados será o desfile de Lino Villaventura, marcado para a Ponte dos Ingleses. Também ganham destaque iniciativas como o projeto Vai Maria, assinado por Cândida Lopes no Estoril, e os desfiles realizados na Rua dos Tabajaras. Paralelamente, o festival apresenta uma nova estrutura de passarelas no Espaço Galpão, com passarela em formato de “X” inspirada nas principais semanas de moda internacionais.
Mentes que fazem moda
Outro eixo fundamental do DFB continua sendo a formação de novos profissionais. O tradicional Concurso dos Novos reúne instituições de diferentes regiões do Brasil e funciona como uma das principais vitrines para estudantes de moda. Entre os participantes deste ano está a equipe da Uniateneu, responsável pela coleção Periferia Invisível, inspirada nas transformações urbanas e sociais da Praia de Iracema. Jornalista, influenciadora e estudante de Design de Moda Vitória Régia, conhecida como Vitória Glamoda, faz estreia no festival através do projeto. “Participar de uma coleção que fala sobre Fortaleza é uma forma de valorizar tudo o que é produzido aqui e mostrar que nossa moda tem identidade, qualidade e relevância. Estar nessa passarela é um ato de resistência e de afirmação”, reflete.
A coleção propõe uma reflexão sobre pertencimento, homenageando trabalhadores e jovens que constroem diariamente a identidade do bairro. Depois de anos cobrindo eventos e acompanhando os bastidores como jornalista, Vitória agora vivencia os desafios do processo criativo. “O que mais me surpreendeu foi descobrir o quanto eu gosto da intensidade dos bastidores. Foi a confirmação de que amo tanto essa parte quanto a mais visível da moda”, diz. A estudante destaca ainda a importância do trabalho coletivo dentro do Concurso dos Novos. “Uma das maiores lições é entender que a moda é essencialmente coletiva. Muitas vezes as pessoas enxergam apenas o estilista, mas existe uma rede de profissionais fundamentais para que uma coleção aconteça”, afirma.
Cultura além da moda
Além da moda, o DFB amplia sua atuação como festival multilinguagem. Isto porque a Arena DFB, instalada na Praça Verde do Centro Dragão do Mar, receberá uma programação gratuita com artistas como Alice Caymmi, Ana Cañas, FBC, Os Garotin e Fernanda Abreu, que encerra a programação nacional com a turnê “Da Lata 30 Anos”. Para Cláudio Silveira, esse movimento representa um passo natural na evolução do evento. “O festival está se tornando cada vez mais festival. Estamos investindo nos empreendedores, na moda autoral, nos shows e em diferentes linguagens culturais. O Nordeste está se unindo para mostrar sua força criativa”, vibra. E este é o legado do DFB: ser um festival que fala de moda, mas que também discute território, identidade, memória e futuro. Especialmente em uma Fortaleza que celebra três séculos de história e que ainda tem muita arte para mostrar.
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Confira a programação:
Terça-feira (9)
18h30 — Concurso dos Novos (Ateneu, UCS, UDESC e UFCA) — Sala Branca
19h — 100% CEART — Sala Preta
19h30 — Almir França — Sala Branca
20h — Casa Aika — Sala Preta
20h30 — Mancuda — Sala Branca
21h — David Lee — Sala Preta
Shows: DJ Renata Dib | Alice Caymmi | Ana Cañas canta Rita Lee | DJ Nego Celo
Quarta-feira (10)
16h30 — Ethos — Rua dos Tabajaras
17h — Silvânia de Deus — Rua dos Tabajaras
18h30 — Concurso dos Novos (UFPE, Unifor, Unipê e UTFPR) — Sala Branca
19h — George Azevedo — Sala Preta
19h30 — Mãos da Moda (Adriana Meira, Luci Bortowski e Dua) — Sala Branca
20h — Lire Brand — Sala Preta
20h30 — J. Cabral — Sala Branca
21h — Gabriela Fiuza — Sala Preta
Shows: Projeto Voyage | Super Banda | Os Garotin | DJ Davi Fiuza
Quinta-feira (11)
16h30 — Jô de Paula — Estoril
17h — Vai Maria por Cândida Lopes — Estoril
18h30 — Mãos da Moda (Carnavália, Teroy13 e Areia) — Sala Branca
19h — Oco Club — Sala Preta
19h30 — Nordestesse apresenta Patu — Sala Branca
20h — 4 Town — Sala Preta
Shows: DJ Viúva Negra | 4rtin | FBC | DJ Priscila Delgado
Sexta-feira (12)
16h30 — Lino Villaventura — Ponte dos Ingleses
18h30 — Mãos da Moda (Inttuí e Morada) — Sala Branca
19h — 407 AA — Sala Preta
19h30 — Nordestesse apresenta Almacor — Sala Branca
20h — Rodrigo Tremembé — Sala Preta
20h30 — Melk Zda — Sala Branca
21h — Studio Orla — Sala Preta
Shows: DJ Maria Tavares | Transacionais | Daniel Peixoto | Fernanda Abreu | DJ Isa Capelo
serviço
DFB Festival 2026
De 9 a 12 de junho
Na Praia de Iracema
Mais informações no Instagram @dfbfestival


















