A partir desta sexta (20), Fortaleza será porto de uma jornada sensorial e profunda pela arte do Norte. A CAIXA Cultural Fortaleza recebe a exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas”, que reúne cerca de 80 obras de 21 mulheres artistas plásticas e visuais da região amazônica
Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br
A força criativa das mulheres da região Norte ganha novos contornos — e múltiplas dimensões — com a chegada da exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas” ao Ceará. Em cartaz na CAIXA Cultural Fortaleza entre os dias 21 de março e 24 de maio, com acesso gratuito e classificação livre, a mostra reúne cerca de 80 obras de 21 artistas plásticas e visuais, propondo uma imersão sensível em temas como identidade, território, ancestralidade e diversidade. A abertura oficial ocorre no dia 20, às 19h, para convidados. Com direção artística e curadoria de Sissa Aneleh, o projeto se constrói a partir de um amplo mapeamento da produção feminina na região Norte, reunindo diferentes gerações e trajetórias em um mesmo espaço expositivo.
“A exposição partiu de um mapeamento amplo de artistas da região Norte que partiu da minha pesquisa em arte, considerando diferentes gerações, territórios e trajetórias femininas. Busquei não apenas nomes já consolidados, mas também vozes emergentes que trazem perspectivas urgentes sobre o contemporâneo amazônico. O recorte curatorial se deu a partir de afinidades poéticas: questões ligadas ao corpo, território, ancestralidade, espiritualidade, ecologia, memória e História das Mulheres”, explica a curadora em entrevista ao Tapis Rouge.
Pluralidade em pauta
Longe de uma narrativa linear, a exposição se organiza como um campo de relações, onde diferentes linguagens dialogam por aproximação e contraste. Pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, performances, objetos, obras híbridas, arte digital e videoarte coexistem em um percurso que valoriza a pluralidade de vozes. “Esse equilíbrio não foi pensado como oposição, mas como continuidade. Técnicas como a gravura carregam saberes históricos e vínculos com práticas manuais e ancestrais, enquanto linguagens como a videoarte e a arte da performance expandem a produção feminina para questões e narrativas do passado, presente e futuro”, pontua Sissa.
Amazônia no Metaverso
Essa multiplicidade se reflete também na própria concepção da mostra, que extrapola o espaço físico e adentra o ambiente digital. Dividida entre uma sala expositiva tradicional e outra no metaverso, a experiência convida o público a explorar novas formas de fruição artística. No chamado “Espaço Petrobras Amazônicas”, os visitantes utilizam óculos 3D para vivenciar uma imersão em 360 graus, com avatares em realidade aumentada e um cenário conceitual que amplia as possibilidades de interação com as obras.
Para a curadora, essa transição para o ambiente digital não se trata apenas de inovação tecnológica, mas de um gesto político e poético. “A presença no metaverso não é apenas uma adaptação tecnológica da visitação do público, mas uma expansão de acesso e de linguagem. A Amazônia, historicamente, foi muitas vezes narrada à distância — e o ambiente digital permite tensionar isso, criando novas formas de aproximação e atualizações da fruição da arte. Levar essas obras para um espaço imersivo digital é também uma maneira de ampliar o alcance geográfico da exposição“, analisa Sissa.
Reverberação
Mais do que apresentar obras, “Amazônicas: Poéticas Femininas” propõe um deslocamento de olhar. Ao reunir diferentes narrativas sobre o feminino e a Amazônia, a mostra desafia estereótipos e convida o visitante a uma experiência de escuta e sensibilidade. Conforme Aneleh, essa é uma das principais reflexões que o público pode levar consigo ao visitar a exposição na CAIXA Cultural Fortaleza. “Espero que saiam atravessados — no sentido mais sensível da palavra. Que levem consigo não apenas informações, mas sensações, imagens, perguntas e criem afeto positivo pela região Amazônica. A exposição propõe um deslocamento de olhar sobre a Amazônia: sair dos estereótipos e reconhecer a complexidade, a diversidade e a potência criativa das mulheres artistas da região. Também há um convite à escuta — escuta de outras temporalidades, de outras relações com a natureza e com o corpo”, conclui a diretora criativa.
serviço
Exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas”
Abertura nesta sexta-feira (20), às 19h
Visitação: de 21 de março a 24 de maio de 2026
Na CAIXA Cultural Fortaleza (Avenida Pessoa Anta, 287 – Praia de Iracema)
Horários: terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 19h
Acesso gratuito
Mais: @caixaculturalfortaleza e @museudasmulheres


















