Entre paixões arrebatadas e paisagens inóspitas, um clássico da literatura arrebata as telonas brasileiras a partir de quinta-feira, 12. Sob o olhar provocador da diretora Emerald Fennell, “Wuthering Heights” (O Morro dos Ventos Uivantes) revisita o romance clássico de 1847 da escritora Emily Brontë com um olhar contemporâneo
Onivaldo Neto
onivaldo@ootimista.com.br
A literatura inglesa do século XIX ganha os holofotes do cinema mundial com a estreia de “Wuthering Heights” (O Morro dos Ventos Uivantes). A nova adaptação do romance imortal de Emily Brontë, que entra em cartaz em solo nacional nesta quinta-feira, 12, aposta em um olhar contemporâneo e esteticamente sofisticado para revisitar uma das histórias de amor mais intensas e trágicas da ficção ocidental. Dirigido e roteirizado por Emerald Fennell — vencedora do Oscar pelo aclamado “Saltburn” (2023) —, longa é estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, dois dos nomes mais celebrados da atual Hollywood, com ambientação em uma sombria Inglaterra, onde paixões obsessivas, ressentimentos e conflitos sociais moldam destinos irreversíveis.
O conto
Tendo como pano de fundo as paisagens isoladas de Yorkshire, na úmida Inglaterra, a trama da produção mergulha no conflito geracional entre as famílias Earnshaw e Linton. A história chega ao público através do olhar do Sr. Lockwood, novo inquilino de Thrushcross Grange, que desvenda os segredos da propriedade ao ouvir os relatos da governanta Nelly Dean. No centro dessa teia está a relação visceral entre Heathcliff — o órfão adotado pela família, vivido por Jacob Elordi — e Catherine Earnshaw, interpretada por Margot Robbie. O que começa como uma conexão de infância evolui para uma obsessão que desafia convenções sociais e molda o destino de todos ao redor.
Fidelidade x subjetividade
Quando os primeiros cartazes promocionais do longa foram divulgados, um pequeno detalhe começou a intrigar os fãs da obra. O título da produção aparecia entre aspas, recurso que fomentou diversas teorias nas redes sociais. Algum tempo depois, a questão foi esclarecida pela própria diretora Emerald Fennell, que explicou o significado simbólico da escolha em entrevista ao portal Fandango. Segundo a cineasta, o uso das aspas é um gesto de respeito à densidade da obra original e aos seus leitores.
Fennell argumenta ainda que é impossível realizar uma transposição literal de um texto tão complexo; por isso, prefere apresentar o filme como uma interpretação subjetiva. “Não posso dizer que estou fazendo o livro. O que apresento é uma versão dele — aquela que vive na minha memória e que, por vezes, deseja caminhos que a obra original não tomou”, explicou, reforçando que o longa busca ser uma experiência coletiva para os apaixonados pelo clássico.
Primeiras reações
Com o início das pré-estreias globais, as primeiras impressões sobre a releitura de Fennell foram divulgadas na internet. A crítica especializada é unânime em um ponto: a tensão entre Margot Robbie e Jacob Elordi redefine o conceito de sensualidade na tela. Jazz Tangcay, da Revista Variety, descreveu o longa como uma experiência “escaldante e perturbadora”, afirmando que a química da dupla está em um patamar superior. “Só Emerald Fennell conseguiria pegar um clássico, subvertê-lo, fazer você se apaixonar perdidamente e, em seguida, destruir completamente sua alma”, analisou.
Já Meredith Loftus, do portal Collider, destacou a imersão sensorial do filme, elevando a cinematografia deslumbrante e a trilha sonora assinada por Charli XCX como elementos essenciais do filme. “Apaixone-se repetidamente pela visão de Emerald Fennell de ‘O Morro dos Ventos Uivantes’. Do design de cenário e figurinos deslumbrantes à cinematografia impressionante e à música bombástica de Charli XCX, o filme mergulha na paixão e obsessão da tórrida história de amor de Catherine e Heathcliff”, declarou.
Polêmicas
A escolha de Jacob Elordi para viver Heathcliff na adaptação cinematográfica inicialmente gerou críticas entre fãs, jornalistas e estudiosos da literatura. O debate ganhou força a partir da descrição original do personagem, definido no livro como “um cigano de pele escura”, característica considerada central para a construção simbólica da narrativa. Além de Elordi, a escalação de Margot Robbie como Cathy também foi alvo de críticas nas redes sociais. Usuários apontaram a idade da atriz — 34 anos — como um possível desencontro em relação à personagem, que na obra original tem apenas 18 anos.
Vale destacar, que ao longo das décadas, a história foi adaptada diversas vezes para o cinema e a televisão, quase sempre com atores brancos no papel de Heathcliff, entre eles Laurence Olivier, Timothy Dalton, Ralph Fiennes e Tom Hardy. A exceção ocorreu em 2011, quando a versão dirigida por Andrea Arnold escalou o ator negro James Howson para o personagem.
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“Wuthering Heights” (O Morro dos Ventos Uivantes)
Estreia nesta quinta-feira (12) nos cinemas nacionais
Romance
Classificação 16 anos



















