Ícone dos anos 2000, Paris Hilton revela bastidores da fama e da vida pessoal em novo documentário

Paris Hilton chega aos cinemas buscando ser ouvida, e não apenas observada. O documentário “Infinite Icon: Uma Memória Visual”, que estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas brasileiros, celebra a reinvenção de uma das figuras mais emblemáticas da cultura pop e propõe uma releitura crítica de sua imagem pública, construída entre excessos, julgamentos e estratégias

Sâmya Mesquita
samyamesquita@ootimista.com.br

Entre flashes, memes e manchetes que ajudaram a definir os anos 2000, Paris Hilton sempre soube que estava sendo observada, mas nem sempre ouvida. Agora, aos 44 anos, a empresária, DJ, cantora e uma das figuras mais influentes da cultura pop global convida o público a olhar além da personagem em “Infinite Icon: Uma Memória Visual”, documentário que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29). O filme propõe uma revisão íntima de sua trajetória, em tom pessoal, musical e, sobretudo, autoral.

Construído como um memorial audiovisual guiado pela música, o longa mistura depoimentos, imagens de arquivo, vídeos caseiros e filme-concerto para acompanhar Paris em um momento decisivo: seu retorno ao pop com o álbum “Infinite Icon” (2024) e a preparação para um show emblemático no Hollywood Palladium. Dirigido por J.J. Duncan e Bruce Robertson, o projeto se afasta da biografia convencional, trabalhada no documentário “This Is Paris” (2020), para explorar emoções, memórias e feridas abertas.

Do drama ao luxo
O documentário atravessa diferentes fases de sua vida pública e privada. Da adolescência marcada por abusos físicos, psicológicos e emocionais em instituições reconhecidas pelo “tratamento para adolescentes problemáticos” — para onde foi enviada à força — à exposição extrema causada pelo vazamento de sua sextape, Paris revisita episódios que ajudaram a moldar e distorcer sua imagem pública.

Mais do que revisitar traumas, “Infinite Icon: Uma Memória Visual” também reposiciona Paris Hilton como uma das primeiras celebridades a entender o poder da própria marca. Muito antes da era dos influenciadores, ela transformou o estigma de “party girl” em um império multimilionário que inclui perfumes, moda, música, NFTs e presença estratégica nas redes sociais. Empresária visionária e marketeira intuitiva, Paris ajudou a redefinir o conceito de celebridade como negócio, antecipando dinâmicas que hoje sustentam a economia da atenção.

O filme também evidencia a importância das conexões criativas que acompanharam sua caminhada. Participações de celebridades como Nicole Richie, Meghan Trainor e Sia ajudam a compor um retrato mais humano e menos caricatural da artista, revelando bastidores de amizade, colaboração e apoio mútuo.

Além do ícone
Vale lembrar que, antes mesmo da consolidação das redes sociais, Paris Hilton ajudou a moldar a figura de “famosa por ser famosa”, tantas vezes usada de forma pejorativa. E embora carregue o sobrenome de um império hoteleiro, Paris construiu sua fortuna de forma independente, ancorada no licenciamento de dezenas de fragrâncias, linhas de moda, acessórios e parcerias globais que movimentaram bilhões ao longo dos anos. Paralelamente, sua imagem fashion se consolidou como referência estética dos anos 2000, com resgate da estética Y2K pela geração Z.

A persona pública que dominou tabloides, marcada por voz infantilizada, humor exagerado e aparente superficialidade, também fazia parte de uma construção deliberada para se proteger. Com o amadurecimento, ela passou a desmontar esse personagem, abrindo espaço para uma narrativa mais complexa e autoral. A música, aliás, ocupa um papel central nesse processo. Atuando como DJ desde o início da década passada, com residências em Ibiza e apresentações em festivais internacionais, Paris traz no álbum Infinite Icon essa reconexão artística entre a figura construída pela mídia e a empresária que não precisa provar nada a ninguém.

No fim, “Infinite Icon: Uma Memória Visual” se insere não apenas como um documentário biográfico, mas como parte de um movimento maior de reavaliação da cultura pop dos anos 2000. Ao revisitar sua trajetória com distanciamento crítico, Paris Hilton transforma memória em narrativa, reposiciona sua imagem pública e reafirma seu papel como empresária, estrategista de marca e ícone cultural de uma era que ainda ecoa no presente.

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Filme “Infinite Icon: Uma Memória Visual”
Estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas
Documentário/Drama Musical
Duração: 1h58
Classificação indicativa 12 anos

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