Com Jesuíta Barbosa, espetáculo “Sonho Elétrico” ganha sessões no Theatro José de Alencar no fim de semana

“Sonho Elétrico”, criação da Companhia Brasileira de Teatro com Jesuíta Barbosa no elenco, ocupa o palco do Theatro José de Alencar neste fim de semana com uma experiência poético-política sobre imaginação e transformação coletiva

Sâmya Mesquita
samyamesquita@ootimista.com.br
Aline Veras
aline@ootimista.com.br

O palco do Theatro José de Alencar recebe, de sexta (27) a domingo (1º), uma descarga poética e sensorial que promete atravessar o público: trata-se de “Sonho Elétrico”, espetáculo da Companhia Brasileira de Teatro dirigido por Marcio Abreu e protagonizado por Jesuíta Barbosa. Com atmosfera onírica e pulsação contemporânea, a montagem convida o público a desacelerar e imaginar novos futuros possíveis.

Na trama, um artista e integrante de banda é atingido por um raio e, em estado de coma, passa a vagar por memórias, sonhos e percepções fragmentadas entre a vida e a morte. A jornada íntima funciona como metáfora para o colapso iminente e, ao mesmo tempo, para as possibilidades de transformação coletiva. Em cena, Jesuíta divide a experiência com Jessyca Meyreles, Idylla Silmarovi e Cleomácio Inácio, conduzindo o espectador por um percurso sensível que mescla música, imagens e dramaturgia contemporânea.

Segundo o ator, a proposta do espetáculo nasce do desejo de repensar o mundo a partir do imaginário e da capacidade de sonhar. “É uma peça para conversar com o público sobre o poder do sonho, sobre imaginar um mundo mais humano, menos urgente. A gente tenta destrinchar essa necessidade de sonhar não só dormindo, mas como exercício de imaginar um mundo possível”, diz o ator, conhecido por dar vida a Jove de “Pantanal” (2022). Inspirada nas reflexões do neurocientista e escritor Sidarta Ribeiro, a encenação articula pensamento crítico e sensibilidade poética.

O espetáculo também aborda o mal-estar contemporâneo e propõe um olhar coletivo sobre o presente. “A gente coloca em cena essa cabeça sonhadora para pensar de que forma podemos estar no mundo e buscar um bem viver, e não esse mal-estar impulsionado por tantas questões do nosso tempo”, explica Jesuíta. A dramaturgia transforma o coma do protagonista em território fértil de memória e imaginação, onde imagens como tempestades, fluxos urbanos e uma banda em cena se entrelaçam.

Memória e cultura
Após temporada em São Paulo, a circulação pelo Nordeste reforça o desejo de encontro com diferentes plateias. “Eu acho que vai funcionar muito bem em Fortaleza, assim como em qualquer outro lugar, porque o teatro tem essa força”, reflete o ator natural de Pernambuco, mas que viveu seus anos formativos em terras alencarinas. Ele destaca ainda a natureza viva da cena teatral: “Cada dia a gente faz uma peça diferente, dependendo do público. O teatro é bonito por isso”.

Para Jesuíta, retornar ao palco do Theatro José de Alencar acrescenta simbolismo à experiência. “Espero que a gente consiga se comunicar com o público e mostrar que o teatro é um lugar necessário de ser habitado — um lugar para pensar e também para se divertir”, destaca. Paralelamente, o artista revela interesse em novos desafios, como a criação de um monólogo e experiências híbridas que misturem escrita, imagem e performance.

A passagem por Fortaleza marca também um momento de transição no elenco. No dia 1º de março, a atriz cearense Verónica Valenttino estreia na companhia e, após a temporada local, assumirá o papel, dando continuidade à montagem. É assim que, entre descargas elétricas, paisagens oníricas e perguntas urgentes sobre o presente, “Sonho Elétrico” chega como um convite para pausar, imaginar e, quem sabe, despertar para outros modos de existir.

serviço

Espetáculo “Sonho Elétrico”
Sexta (27) e sábado (28) às 19h e domingo (1º) às 18h
Theatro José de Alencar. Rua Liberato Barroso, 525, Centro
Ingressos no Sympla e na bilheteria do teatro, das 13h às 1
Valores entre R$ 40 e R$ 100
Sessão com Libras e audiodescrição visual do espetáculo

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