O Museu da Imagem e do Som do Ceará inaugura, amanhã (30), a exposição instalativa “Bezoar do Tempo”, das artistas cearenses Dayane Araújo, Luana Diogo, Marília Oliveira e Taís Monteiro. O evento de lançamento ocorre a partir das 18h, na praça do MIS. A mostra, que ocupará o andar +2 do Anexo, discute tempo, memória e fabulação, tendo a fotografia como linguagem central. No sábado seguinte (6), haverá uma visita mediada com as artistas às 15h e uma fala aberta na praça do MIS às 17h.
A mostra coletiva, concebida e produzida pelas artistas cearenses Dayane Araújo, Luana Diogo, Marília Oliveira e Taís Monteiro, apresenta um mergulho sensível nas memórias esquecidas e fragmentadas de famílias cearenses, articulando imagens fotográficas com processos experimentais e fabulações do tempo, reunindo suportes diversos, como impressões e cianotipias em tecido, objetos ampliados, fotografias analógicas, colagens e vídeo, tendo a fotografia como linguagem central.
Bezoar do Tempo é também o nome do coletivo composto pelas quatro artistas e que atua de maneira colaborativa em edições e curadorias de trabalhos desde 2021. O grupo se dedica à pesquisa e produção de imagem fotográfica e seus processos alternativos, compreendendo o universo da fotografia analógica, arquivos fotográficos de famílias, objetos e fotografias órfãs, produção de textos e suas possibilidades estéticas como espaço narrativo para discutir questões de memória, gênero, arquivo e tempo.
O título da exposição refere-se à constante ruminação acerca do inconciliável do tempo, onde passado, presente e futuro espiralam para sedimentar e formar objetos remoídos, em constante modificação, de incontáveis materiais, que se acumulam em uma massa disforme.
Durante os últimos anos, as quatro artistas cearenses se dedicaram a produzir imagens fotográficas do atrito desarmônico do tempo, pensando a migração como marca de tantas famílias cearenses, muitas delas alijadas da própria história, e partem de pistas autobiográficas de seus mais velhos para chegarem a essas ruminações. Nesta perspectiva, Bezoar do Tempo atualiza a memória da única maneira possível: a partir da fabulação e da entrega ao acaso, entendendo os movimentos coletivos e individuais como uma dupla articulação para a criação artística. É de onde partem os processos de coleta de matéria que se apresenta no cotidiano, do retorno de fotografias encontradas no lixo, bazares e álbuns de família há muito perdidos, nos processos de sopa de filme experimentais, nas impressões fotográficas alternativas que se utilizam da luz do sol e de formulários químicos.
As quatro artistas-curadoras partem de suas histórias familiares para, juntas, investigarem os deslocamentos interior-capital que atravessam a população cearense.
serviço
Abertura da exposição “Bezoar do Tempo”
Neste sábado (30), às 18h
Na Praça do MIS
Local da exposição: andar +2 do Anexo