Conheça a arteterapia, técnica que ajuda no autoconhecimento por meio de expressões artísticas

Especialistas apontam as vantagens e experiências do processo terapêutico que ajuda no autoconhecimento de pacientes/clientes por meio da arte

Sâmya Mesquita
samya@ootimista.com.br

As manifestações artísticas acompanham o homem desde a Pré-História como forma de comunicação e autoexpressão. Porém, em tempos mais recentes, a arte pode ser muito mais que estética ou disrupção: também pode ser terapêutica. Nesse sentido, a arteterapia busca levar a um número cada vez maior de pessoas um processo de autoconhecimento por meio das expressões artísticas.

Segundo a psicóloga Sabrina Gomes, a arteterapia é um processo terapêutico que atua na prevenção e promoção da saúde biopsíquica e social por meio de vivências, onde os recursos expressivos e artísticos buscam promover a integração interna e externa do indivíduo em variadas situações. “Através da obra pintada, moldada ou construída, o paciente/cliente e o terapeuta se comunicam, e assim sentimentos emergem para serem identificados, reconhecidos e transformados. Esse exercício possibilita a ampliação da consciência e consequentemente, do autoconhecimento.”, afirma.

O processo criativo pode ser expressado através da pintura, da escultura, da colagem, do artesanato, do desenho e até da expressividade corporal, como dança, música e artes visuais. O foco é refletir sobre o processo de criação, explorando seu mundo interior e também outras formas de expressividade. “Para quem tem dificuldade de se expressar, a arteterapia pode ser algo que facilita a liberação de experiências traumáticas. Além de trazer falas e questões que até então essa pessoa não consegue explorar, não consegue acessar”, justifica Sabrina.

A arteterapia data do século XIX, mas no Brasil, os estudos foram aprimorados pela médica Nise da Silveira, discípula de Carl Jung, fundador da psicologia analítica, e ganharam corpo nos anos 1980. Hoje, entretanto, a técnica vai além do estudo focado em pessoas reclusas em instituições mentais. Pacientes/clientes com ansiedade, pânico, depressão, problemas de relacionamento e dificuldades sociais também encontram na terapia um método de expressão de traumas rotineiros. “O movimento artístico corporal colabora com o alívio do estresse e da ansiedade e cria sensações lúdicas de bem-estar”, afirma Sabrina Gomes, que salienta ainda que não há restrição quanto ao público, independentemente da idade ou contexto de vida do paciente/cliente. E ainda: não é necessário ser artista para fazer esse tipo de acompanhamento. “É preciso apenas estar aberto a experimentar as artes e ter vontade de tentar técnicas criativas alternativas”, explica a profissional.

Terapia na prática

Segundo a artista plástica Kayrena Melo, que ministra aulas de arteterapia individuais, em grupo e para casais, o processo sempre deve ser guiado por profissionais da Psicologia, mesmo com a presença de um artista guiando o aprendizado prático. “Arte é expressão pessoal e conexão, expressão de sensações que muitas vezes não conseguimos nomear ou organizar de forma interna. Técnicas diversas de pintura, composição e cor são utilizadas para externalizar o subjetivo de forma visual, concreta. Esse processo deve ser guiado por profissionais, tornando a experiência acolhedora e, muitas vezes, libertadora”, afirma.

A designer ainda aponta que, por mais que a terapia não tenham pretensões artísticas, os pacientes/clientes podem, sim, desenvolver o ímpeto pela arte nas aulas: “A arteterapia tende a evoluir para carreira artística quando já existe habilidade ou paixão pela pintura.

Como no caso de um ilustrador do mercado de quadrinhos que expressou um trabalho excepcional, rico em significado, o qual deu início a uma coleção de telas. Mas a terapia funciona muito bem para guiar processos de autoconhecimento de maneira leve e prazerosa, sem pretensões profissionais: apenas pelo deleite do ato artístico”.

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