Ao Tapis Rouge, o idealizador do festival, Cláudio Silveira, disse que a próxima edição deve focar também em música, cinema e teatro
Sâmya Mesquita
samya@ootimista.com.br
Na noite deste sábado (3), o Centro de Eventos do Ceará viu a última noite do DFB Festival, um dos maiores encontros de moda autoral da América Latina. Mas o tema desta edição, “Em movimento”, vai além do conceito de não estaticidade da moda. Isso porque, além desfiles do Concurso dos Novos e de nomes consagrados, como David Lee, os rumos do festival foram discutidos abertamente aos presentes por seu idealizador, Cláudio Silveira.
No palco da sala de desfile 2, pouco antes da coleção de David Lee ser apreciada, o produtor cultural falou sobre os novos rumos do DFB, adiantando que a edição do próximo ano terá mudanças drásticas, já que seu formato atual se tornou financeiramente inviável. “Empreender toda essa energia, durante duas décadas e meia, uma hora acaba cansando. Mas quem nos conhece, sabe que esse não o fim de uma jornada. No nosso caso, isso indica o início de um novo caminho”, disse brevemente.
Posteriormente, Cláudio explicou ao Tapis Rouge, com exclusividade, detalhes de como será o DFB 2024. “Eu quero fortalecer a música, o teatro, o cinema… Terá uma outra pegada”, adianta, sem entrar em detalhes desse novo formato de festival.
Cláudio explica que a mudança se deve às dificuldades de apoio financeiro, já que, em relação a sucesso, o DFB já alcançou o mercado nacional projetando diversos estilistas. “Nós estamos em movimento, como no tema deste ano. Estamos montando uma nova estratégia porque na estratégia antiga eu quis mostrar que a gente consegue fazer, sim. Mas a gente não pode fazer sem apoio. E eu não quero apoio pra mim: eu quero apoio pra eles”, elucida, referindo-se aos novos talentos da moda cearense.
Segundo Cláudio, tanto estilistas quanto marcas pagam entre 15 e 20% do valor do desfile, o que dá em torno de R$ 10 mil. O excedente dos custos é pago com os valores advindos tanto do Governo do Estado do Ceará quanto das parcerias privadas, como a Enel. Isso para não cobrar dos visitantes entradas, como acontece no São Paulo Fashion Week. “Algumas marcas dão mais, estilistas dão menos, alguns são convidados, os [que vêm] de fora… Mas eu não quero ir no caminho de São Paulo. A intenção não é essa”, afirma.
“Tem marcas que poderiam estar pagando pelo seu desfile e o DFB paga. Por que temos que pagar quase um milhão e meio de reais dos patrocínios para fazer a festa? Não precisamos mais provar nada. Hoje, eu realmente considero o DFB como o maior evento de moda do país”, diz.
O produtor ainda considera que, para a edição do próximo ano, o Governo do Estado do Ceará continue com a parceria que proporcionou, inclusive, a utilização do Centro de Eventos para abrigar o evento. “Eu quero que a gente consiga entrar em acordo com o [Governo do] Estado do Ceará. Por isso as mulheres maravilhosas que estiveram comigo na abertura, né? A nossa primeira-dama [Lia Freitas], a nossa a nossa vice-governadora [Jade Afonso Romero], a nossa secretária de Cultura [Luisa Cela] e a nossa secretária de Turismo [Yrwana Albuquerque Guerra] que eu agradeci pessoalmente”, enumera.
O que deve continuar
Apesar das mudanças, Cláudio afirma que os esforços para fomentar a moda cearense continuarão, especialmente nas universidades. “As faculdades de moda continuam com o Concurso dos Novos, procurando incentivar a todos os alunos. Por isso que eu quero continuar. Isso, eu arrumo patrocínio”, explica.


















