Ivan Lins finaliza gravações de novo projeto musical no Jasmin Studio, em Fortaleza

Novo disco conta com produção e arranjos internacionais e deve ser lançado em 2023. Os vocais foram gravados no novo estúdio de Ricardo Bacelar, onde o cantor recebeu a imprensa para falar sobre o momento atual da carreira

Thamy Cavalcante
thamy@ootimista.com.br

O cantor Ivan Lins esteve em Fortaleza para gravar os vocais do seu 44º álbum, que deve ser lançado no início de 2023. O carioca passou a última semana no estúdio Jasmin Music, do músico e amigo Ricardo Bacelar, para gravar as vozes  e finalizar a produção do projeto. Voltado para o mercado internacional, o disco tem participação da Orquestra Sinfônica de Tbilisi, da Geórgia, e é produzido pelo norte-americano George Klabin.

Com mais de 50 anos de carreira, Ivan Lins já experimentou diversos ritmos e estilos musicais, para esse projeto, o cantor apostou no jazz. “Tem solos, tem movimento dentro de algumas canções de tendência  bem jazzística e outras mais dentro da minha linha popular. Na realidade, lá fora (exterior), o meu popular é jazz, de qualquer jeito. No Brasil, já estou me considerando, também, jazz. Então, esse disco mistura um pouco essas duas coisas”, revelou o artista em entrevista à imprensa cearense. O Otimista esteve presente e separou as respostas do cantor sobre o novo projeto e seu atual momento da carreira.

O Otimista – No último domingo você esteve em Fortaleza, em uma apresentação no Cine São Luiz, ao lado da cantora Anna Canário, pelo Projeto Duetos. Como foi a experiência de voltar para cá e reunir um grande público no espaço?

Ivan Lins – Foi espetacular, fiquei extremamente emocionado. Fiquei até com um pouco de pena porque teve gente que não conseguiu ingresso e teve que voltar para casa, seria perfeito se eu ficasse aqui (em Fortaleza) uns três dias, acho que teria público para todos os shows. Foi uma volta triunfal, uma apoteose ouvir as pessoas cantando todas as músicas, eu estava morrendo de saudade de cantar o repertório dirigido ao povo brasileiro. É isso que mantém até hoje, o fato de que essas pessoas me ajudaram a preservar minha carreira e dar continuidade. Se não fosse o público, eu estaria ‘frito’.

O Otimista – Depois da apresentação, você continuou em Fortaleza. O que está sendo preparado aqui no Jasmin Music?

Ivan Lins – Esse é um projeto que comecei a fazer em junho, nos Estados Unidos, em Los Angeles. É um projeto pro mercado internacional, com composições minhas, algumas inéditas, algumas instrumentais e três convidadas, cantoras americanas: Jane Monheit,  Dianne Reeves e, uma mais novata que vai aparecer mais no mercado daqui a pouco, Tawanda.  No novo disco, cada uma delas canta uma canção minha. O disco é feito com a Orquestra Sinfônica de Tbilisi, da Geórgia, nós fomos lá gravar, mesmo com a guerra ao lado e foi uma sensação estranha, mas a Orquestra é espetacular. Então, vim aqui no estúdio do Ricardo para gravar a minha voz, quer dizer, eu vim por vários outros motivos também. Primeiro, para conhecer o estúdio do Ricardo, que eu já tinha visto por fotografia, por vídeos que ele manda, só botando água na boca dos outros (risos), e descobri aqui a Disneylândia dos músicos, aqui é um parque de diversões, você viaja aqui dentro e é capaz de passar 24 horas e não querer sair. Aqui tem tudo que você pode imaginar, para quem quer gravar um disco, para quem quer registrar musicalmente as coisas, e com equipamentos extremamente sofisticados. No Brasil, eu não conheço nenhum estúdio mais sofisticado que esse, e vou voltar com muita frequência, se Deus quiser.

O Otimista – Em mais de 50 anos de carreira, você já circulou por vários ritmos e estilos musicais. O que o público pode esperar desse novo projeto?

Ivan Lins – É um projeto voltado, principalmente, para um público mais jazzista, mas isso não quer dizer que seja um álbum de jazz. Tem solos, tem movimento dentro de algumas canções de tendência  bem jazzística e outras mais dentro da minha linha popular. Na realidade, lá fora (exterior), o meu popular é jazz, de qualquer jeito. No Brasil, já estou me considerando, também, jazz. Então, esse disco mistura um pouco essas duas coisas. Eu mandei uma série de 40 músicas para o produtor nova-iorquino, chamado George Klabin, que além de produtor é dono do próprio estúdio, o Resonance, que é um selo específico de Jazz. Ele resolveu fazer esse disco comigo porque ele tinha acabado de fazer um outro projeto com um clarinetista, só com músicas minhas e eu adorei o disco e adorei o arranjador, aí eu escrevi para ele dizendo isso e que um dia nós poderíamos fazer um disco juntos, uma semana depois, o George me escreveu perguntando se eu queria fazer um disco com esse arranjador, para o selo dele. Claro que aceitei fazer, até porque fazia anos que eu não gravava, e então gravei em Los Angeles, as bases com os músicos. Quando voltei para casa, em Lisboa, decidi gravar as vozes aqui (em Fortaleza), logo entrei em contato com o Ricardo, para saber se ele tinha tempo e espaço na agenda para isso, ele aceitou e foi ótimo, as vozes já estão prontas. Agora, é mandar para o produtor e esperar, esse disco não deve sair esse ano, mas deve ser lançado no começo do ano que vem.

O Otimista – Bom, você escreveu Começar de novo no período da ditadura no Brasil. Na sua opinião, acredita que ainda se encaixa no país atual? Como isso te faz sentir?

Ivan Lins – ‘Começar de Novo’ ficou conhecida como uma canção de amor, mas ela tem uma segunda leitura, que é esse lado mais político, já que foi feita durante a ditadura, da gente querendo se livrar do monstro do regime. O Brasil não mudou muito, a cabeça dos políticos não mudou nada, praticamente. Nós somos governados pelo Centrão desde a ditadura, quando o país só tinha um partido e a oposição não podia atuar. Enquanto continuar com esse centrão, ninguém governa, vai ter que ser como eles querem.

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