Refazendo trajetória de uma das maiores figuras da mitologia grega, a Companhia Crisálida de Teatro abre temporada hoje (7), no Theatro José de Alencar. Montagem resgata narrativa para discutir temas atuais do cotidiano
Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br
A mitologia grega ajudou a erguer a identidade e a religiosidade dos povos antigos e segue presente no imaginário de muita gente, além de ser fonte constante de pesquisa para discutir as vivências em sociedade. Neste sentido, a Companhia Crisálida de Teatro se dedica a entender a figura de Dionísio, considerado o deus do teatro, e todas as camadas e figuras que permeiam este universo. No meio desta imersão, encontraram Ariadne, um alter-ego de Dionísio. É a partir dela que se constrói o espetáculo Ariadne – Cartografias de um Labirinto, que abre praça no Theatro José de Alencar (TJA). A temporada inicia com apresentação hoje (7), no palco principal do espaço, e continua amanhã (8), 15 e 22 de junho na Sala de Teatro Nadir Sabóia, no prédio Anexo – CENA do equipamento, sempre às 20 horas. Os ingressos estão à venda no sympla.com.br e custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).
Na mitologia, Ariadne é a filha de Minos, rei de Creta. Conta a lenda que ela ajuda Teseu, seu grande amor, a sair do labirinto do Minotauro seguindo um novelo de lã. Em troca, queria que ele a levasse a Atenas e se casasse com ela. Agora, capitaneados pelo texto e direção de Juliana Veras, os atores mostram ao público uma ligação entre o mito e temas como abandono, prisão, amor, silenciamento da mulher, violência urbana e a solidão. “Ela [Ariadne] fala em libertação, ruptura, cura de várias questões dentro da família, na qual ela tinha um pai tirano e uma mãe que foi silenciada, fala de abandono, silêncio e paixão”, define Juliana. O espetáculo é objeto de pesquisa da diretora para o Mestrado Profissional em Artes junto ao Programa de Pós-graduação em Artes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (PPGARTES-IFCE).
As pesquisas específicas em torno da figura de Ariadne começaram ainda em 2019, com investigações estéticas e poéticas, até que veio a pandemia e interrompeu os planos do grupo, que precisou fazer adaptações a fim de levar o espetáculo ao público dentro de um contexto de segurança sanitária. A saída foi exibir uma montagem mais enxuta no formato virtual. O cenário pandêmico, porém, adicionou novas nuances às discussões lançadas pelo espetáculo. “A partir do mito do labirinto, vimos que seria possível fazer um paralelo muito forte com o fato de que estamos presos dentro de nossas casas e esse labirinto passou a ser também psicológico e emocional, onde as pessoas passaram a construir castelos de prisão dentro delas mesmas diante de estarem impedidas de se encontrar”, explica Juliana. A versão em vídeo do espetáculo foi exibida na tela do Cineteatro São Luiz, de forma pioneira no equipamento, inaugurando o formato de teatro-cinema projetado pela primeira vez na casa.

Experiência sensorial
Além de algumas apresentações pontuais com público, esta será a primeira vez em que a montagem fará uma temporada com agenda presencial, fato que, segundo Juliana, pode agregar de diversas maneiras. “Quando o espetáculo nasce, é como uma criança: precisa estar em contato com o público para crescer e amadurecer até andar com as próprias pernas. A nossa expectativa é de finalmente descobrir como chegar ao público o que a gente tanto sonhou”, celebra a também pesquisadora.
Outro motivo de alegria para os integrantes da Crisálida é poder explorar as várias experiências sensoriais que planejaram causar na plateia durante o espetáculo – a partir das ideias do chamado teatro ritual – algo que só pode ocorrer a partir da sinergia das apresentações presenciais. “Esta é uma poética que precisa de um contato com o público. Trabalhamos com recursos sonoros e uma vibração da musicalidade que mexe com os corpos dos espectadores. Quando estamos no presencial, o cheiro, a sensação e a capacidade de estar presente ali naquele momento causam uma imersão insubstituível”, completa.
Serviço
Espetáculo “Ariadne – Cartografias de um Labirinto”
Dias 7, 8, 15 e 22, sempre às 20 horas
No Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 – Centro)/Sala de Teatro Nadir Papi Sabóia, Anexo CENA (entrada pela Rua 24 de Maio, 600 – Centro)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Vendas: sympla.com.br


















