“Medida Provisória”, 1º longa de Lázaro Ramos, estreia em Fortaleza; diretor participa de pré-estreia no São Luiz

Mostrando um Brasil onde negros e negras são obrigados a voltar para a África, filme de Lázaro Ramos estreia nos cinemas. Fortaleza recebe, amanhã, pré-estreia com presença do também ator para debater a obra, no São Luiz

Danielber Noronha 

danielber@ootimista.com.br

O Brasil registrou pelo menos 2.364 casos de racismo em 2020. Contudo, estima-se que este número seja maior, tendo em vista as ocorrências não registradas pelo País. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e dão conta de uma situação que carece de ações urgentes para reverter este quadro. Quem resolveu usar as armas que tinha ao alcance como meio de conscientização foi o ator Lázaro Ramos, que se arrisca na direção do primeiro longa-metragem da carreira, Medida Provisória. Filme estreia esta semana nos cinemas brasileiros, incluindo Fortaleza, após ser exibido em festivais nacionais e internacionais, além de enfrentar problemas para ser lançado em larga escala no Brasil.

Na capital cearense, o Cineteatro São Luiz recebe, amanhã (13), às 19 horas, a pré-estreia da produção, que contará também com a presença de Lázaro. O ator baiano e diretor do filme fará a apresentação e debaterá sobre a obra após a exibição. Após o evento, o longa entrará em cartaz também no equipamento, com exibições entre os dias 14 e 22 deste mês, com 18 sessões. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 ( meia-entrada) e já estão à venda no site Sympla e na bilheteria física do Cineteatro.

Narrativa de luta 
Medida Provisória apresenta ao público o Brasil de um futuro distópico, onde o governo federal decreta uma medida que obriga os cidadãos negros a voltarem à África, mesmo contra a vontade deles, como forma de reparar os tempos de escravidão. Porém, com o caos tomando conta do País, algumas pessoas decidem resistir e lutar pelo direito à liberdade.

O longa é uma adaptação de Namíbia, Não!, peça de Aldri Anunciação, que Lázaro dirigiu para o teatro em 2011. Segundo ele, já existia a ideia de levar a história também para as telonas desde então, mas nenhum diretor havia topado encabeçar o projeto até ele mesmo decidir assumir o cargo, encorajado pela esposa, Taís Araújo, também presente no filme. Ela interpreta a protagonista feminina, a médica Capitu, personagem que nunca havia sofrido racismo e acreditava no mito da igualdade racial, até se deparar com as imposições do governo e precisar resistir para sobreviver.

Os papéis masculinos centrais ficam por conta de Seu Jorge, que dá vida ao jornalista André, e o advogado Antônio, vivido pelo ator anglo-brasileiro Alfred Enoch. Ele é conhecido por integrar o elenco da Saga Harry Potter e também pelo personagem Wes, do seriado norte-americano How to Get Away With Murder. A dupla começa a documentar o que está acontecendo no país para o resto do mundo e decide entrar também para a revolução. O filme conta ainda com outros grandes nomes no elenco, como Adriana Esteves e Renata Sorrah. Além disso, traz a estreia do rapper Emicida nas telonas.

Reconhecimento e burocracias 
Medida Provisória foi vencedor do prêmio Indie Memphis Film Festival, que honra projetos independentes do mundo todo, na categoria de Melhor Roteiro. O longa também conquistou o Prêmio Especial do Júri do Festival do Rio. No discurso, Lázaro disse que o filme enfrentou entraves burocráticos para conseguir a liberação da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para ser exibido em larga escala nos cinemas brasileiros. “Censura nunca mais!”, disse na ocasião. O pedido da liberação para este fim, segundo a produtora responsável, foi feito em novembro de 2020, cerca de um ano antes da previsão inicial da estreia, que seria para o mesmo mês do ano seguinte, mas o aval positivo veio apenas em meados de dezembro do ano passado.

Serviço 
Pré-estreia de Medida Provisória 
Amanhã (13), às 19 horas, seguida de debate com Lázaro Ramos
No Cineteatro São Luiz (R. Major Facundo, 500 – Centro)
Mais: @cineteatrosaoluiz

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