Há mais de 20 anos, a adminsitradora Neuma Figueiredo juntou-se à irmã, Nereide Figueiredo e à amiga Maria Neide Oliveira para trazer ao Ceará a maior franquia de eventos de decoração e arquiteura, a Casa Cor.

Desde então, o desafio que parecia ousado demais para um estado sem tradição no setor, tem se ampliado a cada ano e se tornou um dos eventos mais tradicionais do estado e uma das principais franquias da grife.

Nesta edição, a vigésima, são mais de 70 profissionais que assinam 54 ambientes diferentes, que geraram 1,4 mil empregos diretos em 120 dias, além dos “três ou quatro indiretos para cada vaga, que produzem as coisas que estão expostas”, segundo Neuma.

Além disso, a responsabilidade social e a valorização dos artesãos e artistas plásticos locais é um dos principais componentes que diferenciam a mostra cearense. Em 2018, o homenageado é Zenon Barreto, que comemoraria 100 anos.

A mostra deste ano voltou para a mansão da família Macêdo, na Aldeota (Rua Visconde Mauá, 950), projeto do arquiteto modernista Acácio Gil Borsoi e jardins originais assinados por Roberto Burle Marx.

Como você avalia os impactos que a mostra causou no Ceará ao longo destes 20 anos?

Onde chega, a Casa Cor transforma o mercado. Isso foi aqui no Ceará e também em outros estados. Ela muda desde a relação entre os visitante e o profissonal, que passou a ser direta com o mercado fornecedor e atrai muitas empresas. Muitas empresas do Sul e Sudeste passaram a vir pra cá, a ter representante e show room, etc. A Casa Cor coloca o visitante em contato direto com o profissional. Outra mudança foi no relacionamento entre profissionais, eles criaram um vínculo que antes não existia, era cada um em seu escritório, há uma troca de experiências muito grande aqui, então fortalecemos essa relação.

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Neuma Figueiredo

Quais são estas mudanças que a Casa Cor Ceará provocou?

A Casa Cor provoca profissionalização de várias cadeias. Eu mesma encontro pessoas por acaso que usam como referência ter trabalhado na Casa Cor, não apenas arquitetos e decoradores, mas pintores, marceneiros, eletricistas engenheiros ou gesseiros, todos os envolvidos. O nível de exigência dos profissionais é alto, nada pode estar fora do lugar, então participar do nosso evento é um portfólio importante, nós somos uma verdadeira escola de bons profissionais. Sem falar que mudou completamente a maneira como as pessoas se relacionam com o morar, passou a ser um lugar de econtro, de valorização da arte e de lazer, que mexe com quem vem nos visitar. A Casa Cor inspira, a pintar uma parede, a pendurar um quadro guardado, a trocar um tecido, a valorizar um mero bibelô da avó que estava em um lugar desvalorizado, enfim, inspira a viver bem, ninguém sai da Casa Cor da mesma forma que entrou.

Outro aspecto característico da Casa Cor Ceará é a valorização do artesanato e da cultura local e também da responsabilidade social…

Sim, nós temos esta preocupação, afinal o Ceará nos dá tanto, que temos que retribuir de alguma forma. Todos os anos elegemos uma entidade principal e algumas outras para contribuirmos, e essa colaboração muda a depender do local e da necessidade. Esse ano é a Santa Casa de Misericórdia, que nós doamos o equivalente a mil ingressos, além das vendas do coquetel de abertura. Além disso, sempre temos uma parceria com o Sebrae para valorizar o nosso artesanato e os nossos mestres da cultura, de todas as regiões do estado. É uma característica nossa, presente desde a primeira edição. Além disso, também valoriozamos nos eventos que ocorrem diariamente, chefs, músicos e artistas plásticos. Todo dia temos uma programação diferente que contempla a nossa identidade.