A Cartier, uma das joalherias mais icônicas do mundo e uma das pioneiras no Brasil – iniciou suas atividades por aqui em 1978 – está lançando o novo relógio Santos. A campanha, estrelada pelo ator indicado ao Oscar Jake Gyllenhaal, apresenta o modelo que integra a linha que homenageia o pai da aviação, Alberto Santos Dumont, amigo pessoal do fundador da maison, Louis Cartier.

O Santos de Cartier ainda apresenta duas novidades patenteadas pela marca: o sistema smart link, que permite troca de pulseiras (atualmente, são oferecidas 17 cores e texturas diferentes de couro para troca), e o quick suite, que por meio de pinos retráteis, permite a regulagem dos elos das pulseiras de metal.

Para apresentar a novidade e conhecer os novos espaços shop and shop da Tânia Joias, que representa a maison francesa com exclusividade no Nordeste há 30 anos, a recém-inaugurada loja do Iguatemi recebeu, na última semana, a visita do general manager da Cartier no Brasil, Maxime Tarnaud.

O executivo francês tem 20 anos de experiência no mercado de luxo do Brasil e da França – inclusive, nos dois gigantes do setor, os grupos Richmond, detentor da Cartier, e LVMH –  e está há 10 no Brasil. Antes da Cartier, da qual é responsável pelas operações no país desde 2011, Maxime trabalhou na Louis Vuitton do Iguatemi São Paulo e, em uma temporada anterior no Brasil nos anos 1990, na grife de sapatos e acessórios Berluti.

O novo modelo de relógio Santos, com campanha estrelada pelo ator Jake Gyllenhaal, homenageia o inventor brasileiro Santos Dumont. Qual a relação dessa linha com o Brasil?

Estamos lançando o novo relógio Santos, que é o grande lançamento do ano e, obviamente, o Santos é mais significativo ainda para o Brasil, porque a relação da Cartier com o país vem de muito antes da abertura de boutiques. A linha do Santos representa isso, homenageia o inventor Alberto Santos Dumont, que pediu para Louis Cartier, seu amigo pessoal, para desenvolver um relógio de pulso que pudesse consultar enquanto voava. Daí surgiu em 1904 o Santos, o primeiro relógio desenhado para ter uma pulseira.

A Cartier foi uma das primeiras grandes casas de luxo a se instalar no Brasil. Como se dá a distribuição dos produtos da grife no Brasil?

Esse ano comemoramos os 40 anos da maison no Brasil. A Cartier tem dois motores: as boutiques próprias, são duas em São Paulo, e o segundo motor são os parceiros, como a Tânia Joias, que  é nossa parceira há muito tempo. Já são 30 anos, além da exclusividade em todo o Nordeste. Os parceiros revendem os relógios, canetas e acessórios de couro, sempre oferecendo as últimas novidades, e as boutiques vendem também a linha de joias.

Desde a sua chegada na filial brasileira da Cartier, quais foram as principais mudanças da grife? 

Nos últimos sete anos, investimos bastante no Brasil. Abrimos duas boutiques em São Paulo, nos shoppings Iguatemi e Cidade Jardim, e reestruturamos a nossa rede de parceiros, com um novo conceito de shop and shop, totalmente alinhado com a identidade Cartier. Estamos apostando nas novas tendências de mercado, como sair das lojas de rua para os grandes shoppings. O resultado é bem melhor, a marca está mais exposta, mais segura e mais confortável nos grandes centros de compras.

Os mercado emergentes como o Brasil receberam muitos investimentos das grifes internacionais nos últimos 10 anos. Este mercados continuam prioritários?

De fato, a Cartier é pioneira em olhar para novos mercados. Fomos uma das primeiras marcas de luxo a entrar no Brasil, mas também uma das primeiras da China, onde temos mais de 25 boutiques. Sem falar na Rússia, na Índia e no México, onde já temos presença forte há alguns anos. Estamos amadurecendo os mercados e nos relacionando, somos pioneiros também em criar um filme que não é apenas propaganda, mas filmes institucionais que contam a história, os valores e as inspirações da maison para os novos mercados.

O atual momento econômico e político pode influir nas operações da Cartier no Brasil?

A gente continua apostando no Brasil, estamos aqui há 40 anos, não somos uma maison que chegou, ficou cinco anos e foi embora. O Brasil, como todo país emergente, tem ciclos de altos e baixos e posso dizer que a Cartier tem uma grande fidelidade com o Brasil. O resultado disso é que a maison vem crescendo no Brasil a cada ano, 2017 batemos recorde de faturamento. Neste ano já estamos crescendo na casa dos dois dígitos, estamos em uma fase muito positiva.

A Cartier tem planos para expandir suas atividades no Brasil, seja com boutiques próprias, ou com parceiros?

Acredito que há muito espaço para crescer no Brasil, principalmente no Nordeste, que tem um mercado crescente e ainda é carente de grandes marcas de luxo. Estamos razoavelmente otimistas, mas por enquanto não vamos expandir, estamos em uma fase de consolidação do nosso network.