Após quase 12 anos de luta, compartilhada entre o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – Crefito 6, Associação Brasileira de Terapia Ocupacional – Abrato-CE, Associação Cearense dos Terapeutas Ocupacionais – ACTO e terapeutas ocupacionais liberais e demais apoiadores como acadêmicos e políticos, será aberto o curso de graduação em Terapia Ocupacional, na Universidade Estadual do Ceará (UECE).

A autorização para as condições de implantação à abertura da turma foi anunciada pelo governador Camillo Santana, por meio da live semanal, realizada em seu perfil no Facebook e confirmada durante o Congresso Nordeste de Saúde da Família, realizado na última semana. Antes dessa decisão, o conselho universitário da UECE já havia autorizado a abertura do curso.

Para a vice-presidente do Crefito 6, a terapeuta ocupacional Luzianne Feijó, essa foi uma verdadeira saga por um sonho. “Ofertar uma formação de qualidade aos futuros profissionais da terapia ocupacional e uma assistência de qualidade a saúde da população cearense”, afirma. A Terapia Ocupacional é uma profissão com inserção ampla em várias portarias e resoluções do Ministério da Saúde, da Assistência Social e da Educação. A Organização Mundial da Saúde estabelece que para uma atenção de qualidade e maior acessibilidade a proporção de profissionais de saúde por número de habitantes seja de um por 1000 hab.

Entre eles está o terapeuta ocupacional, que no estado do Ceará tem o total 807 profissionais, para para mais de 8 milhões de habitantes. Apenas uma instituição particular de Fortaleza firmou terapeutas ocupacionais por 43 anos.
Para o reitor da UECE, professor Jackson Sampaio, que muito incentiva a prática do profissional da Terapia Ocupacional, para a universidade é sua missão oferecer educação superior para o Ceará e no caso específico dessa profissão, a instituição completa a formação da equipe básica de saúde para todas as políticas públicas de saúde do país.

Ele chama atenção para a grande importância da abertura do curso. “O número de cursos de Terapia Ocupacional no Nordeste está diminuindo. Há dez anos eram nove cursos, um por estado, dos quais apenas um era público na Universidade Federal de Pernambuco e hoje são apenas cinco cursos. Ao longo de dez anos foram suspensos quatro cursos, inclusive o da UECE. Desta maneira a Universidade Estadual do Ceará cumpre uma responsabilidade pública”, informa o reitor.

A previsão para o início da turma é o segundo semestre letivo de 2019, no final de maio. Antes disso, segundo Jackson Sampaio, serão realizadas reuniões para elaboração de cronograma de implantação, seleção de professores, vestibular e negociações com governo para investir em equipamentos, é necessária a construção de quatro laboratórios específicos para o curso.

A ausência de uma instituição formadora no estado e a ausência desse profissional acarreta em diversos problemas como:
– Aumento do tempo e custo de internações hospitalares;

– Maior probabilidade de sequelas físicas e/ou emocionais, tempo maior em internações hospitalares;

– Contribuição para aumento nos índices de reprovação escolar, comprometimento do desenvolvimento infantil na primeira infância o que acarretará problemas na adolescência e vida adulta;

– Maiores possibilidades de quadros depressivos, demenciais e outras comorbidades crônico-degenerativas ou não, presentes na população idosa com o aumento no número de quedas, o que aumenta os custos em toda a rede de saúde e assistência social (medicação, internação, etc);

– Aumento dos índices de adolescentes cooptados para o mundo das drogas e da criminalidade; privação do bom prognóstico e possibilidades de independência e autonomia na vida de pessoas com deficiência e privação do desenvolvimento das habilidades e capacidades necessárias ao retorno à escola e ao trabalho, para adequada emancipação e participação social, entre outras