Empresário do setor óptico há 43 anos, Assis Cavalcante comanda, desde o ano passado, a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza. Ao assumir a entidade no meio de uma crise econômica, o empresário teve como desafio buscar alternativas, junto ao poder público, para reanimar o comércio varejista, mediar a polêmica da renovação dos alvarás e contribuir com a requalificação do Centro de Fortaleza, região responsável por um dos maiores volumes de negócios do Estado.

Amante do Centro e dono de uma rede óticas que começou na região – das atuais 24 lojas da Óticas Visão, 12 estão no Centro, nove em shoppings, além das unidades no Crato, Maracanaú e Caucaia -, Assis também espera que as intervenções urbanísticas e de reordenamento da região possam estimular o surgimento de novos negócios na área.

Apostando na parceria estratégica com diferentes setores para reanimar o comércio, Assis Cavalcante acredita que teremos um dezembro com vendas ligeiramente melhores do que em 2017, com crescimento na casa dos 4%, e espera o anúncio de medidas de estímulo para fazer projeções para 2019. No entanto, declara otimismo. “Nós, lojistas, nascemos da esperança e vivemos da expectativa”, brinca.

No dia 23 de novembro, a CDL vai lançar a sua maior campanha anual, o Ceará Natal de Luz, que visa estimular o comércio com descontos, atrações culturais e serviços nas principais zonas comerciais, principalmente no Centro.

A CDL espera um acréscimo significativo nas vedas do varejo neste fim de ano, ou os resultados devem ser parecidos com o do ano passado?

O empresariado está esperando a definição da política. Enquanto a política estiver  diretamente ligada à economia, vai atrapalhar o rendimento. A partir do deslindar da questão, vamos ter um cenário mais claro. O que empresário espera, principalmente o lojista, é vender, abrir loja e gerar emprego. Nós estamos otimistas? De certa forma, porque nós temos um cenário que em outro momento seria extremamente importante: taxa de juros relativamente baixa, inflação sob controle e dólar que já esteve em alta, com tendência de queda. Então, na fotografia de hoje, a expectativa é superar os números de dezembro do ano passado em 3% ou 4%.

Alguns setores, como a Construção Civil, já demonstram otimismo e têm expectativa de crescimento para 2019. O comércio também está otimista?

A gente espera que haja uma política desenvolvimentista no próximo governo. Só depois de saber o que, de fato, vai acontecer, é que os empresários vão montar os seus projetos. Então, ainda é muito cedo para fazer previsões para o ano como um todo. A crise era pra ser um ano, já foram três. O ano passado foi muito difícil. Esse ano salvou-se quem pôde, quem fez ajustes nos seus negócios. E quem fez o seu dever de casa é que vai se destacar lá na frente. O comércio é muito sensível, tanto em relação às políticas governamentais quanto à questão do dólar. Então, é aguardar.

Algumas iniciativas, tais como reformas em vias e a ampliação do horário de funcionamento devem ajudar a melhorar o comércio da região, para além da questão macroeconômica?  

Sim. A aprovação, desde o ano passado, da possibilidade de elastecer o horário de funcionamento das lojas de rua é importantíssimo. Não menos relevante é a questão do Centro! Temos uma sintonia com a Prefeitura de Fortaleza que poderá representar uma revolução na região, tanto com reformas, quanto com ordenamento dos ambulantes, além das pessoas em situação de rua. O prefeito vai inaugurar, no dia 23, o calçadão da Guilherme Rocha e, em fevereiro, começa a mesma obra na Liberato Barroso, que dará uma nova cara à região. Além disso, estamos buscando atrações para o Centro em todas as grandes datas do comércio, para trazer lazer e mais compradores.

A concorrência das lojas com os vendedores ambulantes no Centro deve ser atenuada com estas ações?

A questão dos ambulantes também é fundamental. Para se ter uma ideia, eram 1.491 registrados e três mil clandestinos, em uma total desordem. Isso atrapalha até o direito de ir e vir das pessoas. Com o novo cadastramento e os quiosques padronizados, vai melhorar a locomoção das pessoas pelo Centro e vai criar um desejo nelas de ir ao Centro.

Você acredita que o empresariado absorveu bem essas iniciativas?

O empresariado não acreditava que isso seria possível. Estávamos há 34 anos buscando isso. A primeira reação foi de incredulidade, mas hoje estamos todos satisfeitos com este trabalho a quatro mãos, entre Prefeitura e CDL, que deve resultar em novos negócios e na melhoria da convivência no Centro.

Esta parceria entre Prefeitura e CDL também se deu para a resolução da polêmica dos alvarás? O senhor acredita que chegaram a uma solução razoável?

A CDL negociou com a Prefeitura até o último instante. Buscamos um entendimento, poderia ter sido melhor, mas conseguimos alguns pontos importantes. Conseguimos tirar o valor de R$ 5 mil a R$ 15 mil na área e o parcelamento. Gostaríamos que a renovação fosse a cada cinco anos, por exemplo, e que o valor por metro quadrado (atualmente em R$ 6,50) fosse menor, mas avançamos em pontos importantes. A questão das reformas dos calçadões, da Cidade da Criança e das 33 praças, além do reordenamento dos ambulantes, são muito importantes para o comércio do Centro e foram muito bem recebidas.

A ampliação dos horários de funcionamento deve ser implementada de maneira fixa, ou somente nas grandes datas?

Tudo isso depende do que se pretende levar ao Centro, e também do incentivo à moradia. Atualmente, são 28 mil pessoas morando lá. Mas pensamos em ampliar de maneira permanente o funcionamento aos sábados, passar de 16h para 18h. Também estamos conversando com a Prefeitura para levar atrações.