Com percentual de ocupação superior a 90% e dois aumentos de frequências – seis por semana a partir de novembro e sete a partir de abril de 2019 – a Air France/KLM tem apostado cada vez mais no seu hub aéreo em Fortaleza.

Para demonstrar esta prioridade com o mercado local, a companhia promoveu no começo da semana a quarta edição do seu “Encontros à francesa”, o principal evento comercial da empresa para o mercado brasileiro em Fortaleza, nos últimos dois dias.

O encontro foi aberto pelo presidente do grupo no Brasil, Jean-Marc Pouchol, que apresentou os resultados da companhia, as expectativas e garantiu que, a partir de 2019, a empresa terá 45 voos semanais no Brasil e ofertará 1,3 milhões de assentos ao ano, além de renovar a frota, substituindo os Airbus A330 da KLM pelo A340, e o A340 da Joon/Air France pelo A350.

A Air France/KLM já anunciou dois acréscimos nas suas frequências a partir de Fortaleza e as taxas de ocupação superam os 90%. O grupo esperava esse sucesso?

A gente sabia que seria um êxito, mas não esperávamos que seria tão rápido. O nosso objetivo sempre foi ter voos diários de Fortaleza para a Europa e chegamos a esse número mais rápido do que esperávamos. Em menos de um ano do início das operações, em abril, já teremos um voo diário do grupo, seja pela Air France ou pela KLM.

Os clientes que vêm da Europa vão poder contar com um sistema de stop over, a fim de aumentar a estadia de passageiros que utilizam estes voos tendo como destino final outros estados?

Já se pode fazer o stop over de graça, sem limitação de dias, tanto brasileiros quantos estrangeiros. Vamos trabalhar para desenvolver mais o conteúdo da parada aqui, enriquecer o conteúdo do que podemos oferecer no Ceará para os clientes, não apenas em Fortaleza, mas nos outros destinos do Estado.

Qual o percentual de participação do público cearense nos voos?

A metade dos clientes é de brasileiros, destes, mais ou menos 25% são cearenses, os demais são oriundos de outros estados e utilizam a rede de conexões da nossa parceira GOL para ir ou voltar da Europa com mais rapidez.

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O executivo francês mora há dois anos no Brasil e trabalha há 28 anos na Air France.
Foto: Eri Nunes.

Faz parte da estratégia da Air France/KLM divulgar o voo em outras regiões do Brasil, a fim de atender uma demanda reprimida, que antes precisava sair do Rio de Janeiro ou São Paulo? 

Pretendemos aumentar a presença principalmente no Norte e no Nordeste, trabalhar com agências, promover road shows em mercados estratégicos, como Manaus, Belém, Recife, Natal e Salvador para fomentar esse projeto e dinamizar as vendas. Em Belém, por exemplo, a nossa participação era ínfima, porque era muito difícil para os clientes descerem para o Rio ou São Paulo e de lá para a Europa. Agora, com os voos em Fortaleza, as conexões são muito mais rápidas e simples, além do tempo de voo menor. Sem falar que os preços são menores, pudemos fazer uma redução de até 35% dos valores das passagens.

Como se estrutura a parceria entre a Setur e as duas companhias para promover o destino?

Fizemos vários eventos de promoção desde outubro do ano passado, em parceria com a Secretaria do Turismo, para agentes, operadores de viagem e imprensa especializada, e temos várias outras, sem falar nas feiras e seminários na Europa para vender o destino Ceará lá. Estamos falando sempre do nosso ‘hub Nordeste em Fortaleza’, acho que eu venho falando mais em Fortaleza do que em São Paulo (risos). A nossa parceria com o setor público é muito positiva, o secretário Arialdo Pinho é um dos maiores incentivadores deste trabalho que fazemos em conjunto. Estamos aumentando a notoriedade do Nordeste na Europa com ações de promoção e o próximo passo é levar o destino Ceará também para a Ásia.

O Ceará tem iniciado nos últimos anos parcerias comerciais com a China e a Coreia. De que forma estes voos facilitam a consolidação destes negócios?

Não é só graças aos voos para Paris ou Amsterdã, mas também por causa da nossa rede de voos entre a Europa e a Ásia, que é um dos nossos principais mercados. Só para a China operamos voos para 11 destinos, além de parcerias code share com duas grandes companhias chinesas, a China Western e China Southern, o que nos permite viajar para quase toda a China.

Quais são os próximos passos para atrair mais passageiros para os voos do grupo a partir de Fortaleza?

Devemos dinamizar a partir de agora o setor corporativo. É normal começar as operações de um novo voo voltando-se para o público de lazer e depois consolidar o mercado corporativo, organizar as questões contratuais, etc. Inclusive, oferecemos para as empresas a possibilidade de um contrato único, que engloba as três companhias: KLM, Air France e GOL, facilitando ainda mais as negociações com o público corporativo.

Esta aposta nos mercados do Nordeste deve tirar participação dos voos já consolidados no Sudeste?

Estamos apostando na descentralização das operações do eixo Rio-São Paulo, o que não significa que as nossas operações tradicionais lá foram prejudicadas. O crescimento do hub do Nordeste é complementar ao que já existia, não baixamos a oferta lá para ofertar mais aqui, ao contrário. É um investimento em um mercado com grande potencial que antes precisava se deslocar até o Sudeste. No Rio, por exemplo, aumentamos três frequências, passando de sete para dez, além de novos voos a partir de Brasília também.